“Todas as exterioridades, mesmo as mais banais, estão ligadas com as decisões últimas sobre o sentido e o estilo da vida.”
Georg Simmel
“Sob a aparente desordem da cidade antiga [...] existe uma ordem maravilhosa.”
Jane Jacobs
Jane Jacobs
A cidade aparece como um organismo vivo, sujeito ao desgaste, à transformação e às contradições de seu próprio tempo. A pedra convive com o concreto, o abandono com a permanência, o sagrado com o profano. A desordem cotidiana atravessa a arquitetura monumental e revela uma paisagem em constante conflito entre passado e presente.
O olhar fotográfico aproxima dois universos aparentemente opostos: o barroco, associado à exuberância e à teatralidade, e o ordinário, território do banal, do precário e da vida comum. Dessa aproximação emerge uma cidade de excessos, contrastes e ambiguidades, onde a beleza também se manifesta nas fissuras, nos escombros e nas imperfeições.
“Ouro Preto são também os casebres de taipa de sopapo Agüentando-se uns aos outros ladeira abaixo”
Manuel Bandeira
Barroco em Desordem propõe um deslocamento do olhar sobre Ouro Preto. Um inventário visual de suas permanências e descontinuidades, das marcas deixadas pelo tempo e, sobretudo, da vida que insiste em acontecer para além dos monumentos.
A arquitetura da cidade expressa uma convivência permanente entre diferentes tempos. A pedra e o concreto, as fachadas coloniais e as intervenções contemporâneas, os edifícios preservados e as construções precárias formam uma paisagem de contrastes.
A racionalidade e a funcionalidade, princípios importantes da arquitetura moderna, encontram os traçados irregulares, as soluções espontâneas e as formas acumuladas ao longo dos séculos. Dessa coexistência emerge uma geografia fragmentada, em que a ordem arquitetônica e a desordem da vida cotidiana se sobrepõem continuamente.